Final da 1ª Escola de Verão para Atores!
 


 

A 1ª edição da Escola de Verão para Atores do Teatro do Noroeste – Centro Dramático de Viana, com coordenação do encenador espanhol Guillermo Heras, decorreu de 13 a 23 de julho, no Teatro Municipal Sá de Miranda, em Viana do Castelo.

No total, 24 intérpretes profissionais e estudantes de teatro participaram neste encontro de formação artística, juntamente com mais de 40 assistentes que, em três horários diários, assistiram às sessões de trabalho.

 

No dia 23 de julho, às 21h00 foi feita a apresentação de um exercício final intitulado Universo Pessoa, dirigido por Guillermo Heras, no Teatro Municipal Sá de Miranda.

 

Uma experiência insuperável que contou com o especial apoio da Câmara Municipal de Viana do Castelo.

 

Encerramento da 1ª Escola de Verão para Atores 

Este é um momento muito especial.

Pensada durante mais de um ano, a Escola de Verão para Atores do Teatro do Noroeste – CDV é hoje, agora, ao terminar a sua primeira edição, uma realidade cujo significado ainda transcende a nossa compreensão.

Ainda é cedo para refletirmos com a racionalidade desejada sobre os vários significados destes 11 dias em que, neste palco centenário, esta companhia de teatro com 23 anos de atividade profissional, recebeu 24 atrizes e atores, muitos deles vindos dos quatro cantos de Portugal, que escolheram Viana do Castelo e este projeto para aprenderem e para partilharem connosco as suas experiências e os seus conhecimentos. A todos eles, o nosso muito obrigado.

Depois, 6 distintos criadores, que são também professores, foram responsáveis por ministrar as 9 horas de aulas diárias que compuseram uma experiência de formação artística verdadeiramente intensa. Vieram de Paris, Madrid, Corunha, Lisboa e Viana, convidados pelo mentor deste projeto que, há mais de um ano, nos ofereceu a sua colaboração, em nome da vontade de construir possibilidades para o futuro: Guillermo Heras, Olga Roriz, Alexandra Moreira da Silva, Antonio Simón, Ricardo Simões: muito obrigado por partilharem connosco os vossos saberes.

Guillermo Heras, ator, autor, encenador, professor, gestor cultural, é um autêntico missionário teatral, um vagamundo sempre pronto para trabalhar com o outro, em prol do teatro. Nas ruas das cidades mais perigosas do planeta, calcorreando os confins da América do Sul, ensina e pratica teatro com os povos mais desfavorecidos, assim como é convidado para encenar em grandes teatros europeus. De mochila sempre pronta para embarcar, Guillermo Heras é um Samurai do teatro.

Por todo este sonho que hoje é uma realidade, e por todas as dádivas, muito e muito obrigado, Guillermo.

À Câmara Municipal de Viana do Castelo, na pessoa da Sra. Vereadora da Cultura, Dra. Maria José Guerreiro, pela confiança de todos os dias, pela solidariedade e pelo apoio ao projeto cultural do Teatro do Noroeste – CDV que, desde 1991, tem o privilégio de residir neste maravilhoso Teatro Municipal Sá de Miranda, o nosso reconhecido agradecimento por nos ter desafiado a manter este projeto, em nome da importância que o mesmo tem para Viana do Castelo, quando o Governo de Portugal, mais uma vez, ao não apoiar o projeto cultural do Teatro do Noroeste – CDV, o quis condenar, por exemplo, à não realização desta Escola de Verão para Atores, mas também à não reedição do FESTEIXO, que já não vamos fazer, à não realização de uma Antígona que já adiámos, à não realização de uma mostra de teatro de projetos emergentes de língua portuguesa, à não realização, enfim, de todo um projeto pensado para os próximos 2 anos e que resulta de uma profunda reflexão que visa, tão-somente, contribuir para a qualidade de vida dos cidadãos através do seu acesso à fruição dos bens culturais, direitos consagrados na Constituição da República Portuguesa.

Nos últimos 11 meses, 23.500 beneficiários diretos, ou seja, espetadores, assistiram aos espetáculos do Teatro do Noroeste – CDV neste teatro mas também em todos os concelhos do Alto Minho, em Braga, no Porto e em Beja. Para além disto, mais de 50 pessoas frequentam todas as semanas as nossas oficinas de teatro: o ativasenior, o ativajunior, o enquanto navegávamos. As juntas de freguesia do concelho de Viana e de outros concelhos que se organizam para virem ao teatro; a TEIA que congrega 22 associações culturais de todo o Alto Minho e que também apoiam a companhia; a europac viana kraft, a caixa agricola noroeste, a casa Manuel Espregueira e oliveira, a casa de s. José, as rádios locais e todas as outras instituições, empresas e comerciantes que nos apoiam: estes são os nossos públicos, a nossa força, a nossa razão de existir.

E é por isso que não desistiremos. Vamos continuar a trabalhar e demonstrar o nosso trabalho, que não é orientado para aparecer nos jornais ou nas televisões (até porque a maior parte das vezes não aparece pois Viana é longe de Lisboa), mas sim, orientado para os públicos que enchem esta sala e todas as salas em que nos apresentamos, muitas vezes durante o ano.

E como de Lisboa, e da Direção-Geral das Artes, e da Secretaria de Estado da Cultura e do Governo de Portugal, absolutamente ninguém se digna a vir a Viana do Castelo conhecer o nosso projeto, o nosso trabalho, o serviço público que prestamos precisamente ao Estado, havemos nós, não de ir a Viana, como escreveu Pedro Homem de Melo e cantou Amália, mas a Lisboa e, meus senhores, ficareis a saber quem somos e que trabalho realizamos.

Por isso, queremos agradecer, mais uma vez, à Câmara Municipal de Viana do Castelo, sem a qual, sejamos realistas, esta companhia já não existia.

Por fim, uma palavra às equipas do Teatro Municipal Sá de Miranda por toda a colaboração e à equipa do Teatro do Noroeste – CDV por toda a capacidade de prosseguir, apesar das adversidades.

A todos, muito obrigado.

Viva o Teatro!